Fechamento de unidade de saúde, falta de equipamentos para exames e pacientes obrigados a procurar atendimento em outra cidade contrastam com o entusiasmo da primeira-dama diante do investimento na DUQUE FITNESS
A realidade vivida por muitos moradores de Duque Bacelar expõe um contraste que dificilmente passa despercebido.
De um lado, uma população que reclama das dificuldades enfrentadas na saúde pública, da falta de equipamentos para determinados exames de imagem e da necessidade de deslocamento até Coelho Neto para conseguir atendimento. Do outro, a primeira-dama Gilmara Furtado aparece nas redes sociais comemorando, etapa por etapa, a montagem da DUQUE FITNESS, uma academia particular instalada em um imóvel amplo e de localização privilegiada na cidade.
O problema não é uma academia existir. O que provoca indignação é o contraste das prioridades percebidas pelos moradores.
Há cerca de um mês, o município fechou o Centro de Saúde de Duque Bacelar, unidade histórica apontada como a primeira estrutura de saúde da cidade. Desde então, segundo relatos de moradores, pacientes que precisam de exames de imagem enfrentam dificuldades e, em determinadas situações, precisam recorrer à vizinha Coelho Neto.
Enquanto isso, nas redes sociais, o clima é de comemoração. Gilmara Furtado demonstra entusiasmo com os equipamentos de última geração, com o acabamento e com cada detalhe da nova estrutura. O convite para que a população acompanhe a montagem também repercute entre os bacelarenses, alguns interpretando a exposição como uma provocação diante do momento delicado enfrentado pela saúde municipal.
E é justamente aí que está o ponto que incomoda.
Para quem precisa de um exame, de um diagnóstico ou de atendimento público, não há equipamento de última geração esperando. Há deslocamento, espera e incerteza.
Para a academia, entretanto, há espaço, estrutura, equipamentos modernos e piso apropriado.
A situação inevitavelmente alimenta questionamentos: que tipo de cidade está sendo construída e quais são, de fato, as prioridades de quem está no comando?
A trajetória profissional da primeira-dama também passou a ser comentada. De professora do ensino fundamental I, Gilmara Furtado agora aparece associada ao segmento empresarial de estética e bem-estar.
Nada disso, isoladamente, seria motivo para crítica. O que causa revolta em parte da população é a sensação de que o setor privado avança enquanto os serviços públicos essenciais enfrentam dificuldades.
E os moradores têm todo o direito de perguntar: se existe capacidade para grandes investimentos particulares, por que a população ainda precisa sair de Duque Bacelar para realizar determinados exames?
A indignação não está na existência da DUQUE FITNESS. Está no simbolismo que ela adquiriu diante da situação da saúde.
Enquanto uns comemoram a chegada de uma academia equipada, outros continuam esperando por uma saúde pública que funcione.
No município, a ironia dos moradores resume o sentimento de quem observa esse contraste:
“É só mais um grande investimento da família Furtado.”
Uma frase curta, mas que revela uma pergunta muito maior: quando chegará a vez de a saúde pública receber investimentos à altura das necessidades dos bacelarenses?







