A divulgação do Contrato nº 1160/2026, firmado entre a Prefeitura de Duque Bacelar e a Caixa Econômica Federal, trouxe à tona um dado que chama a atenção da população: a previsão de repasse de R$ 600 mil aos cofres municipais pela exclusividade na operacionalização dos serviços bancários relacionados à folha de pagamento dos servidores públicos municipais.
De acordo com a Cláusula Sétima do contrato, intitulada "Da Remuneração ao Contratante – Desembolso à Vista", a Caixa fixou o pagamento total e líquido de R$ 600 mil em favor do município. O valor deveria ser creditado diretamente em conta da Prefeitura após o cumprimento dos requisitos estabelecidos no próprio contrato, incluindo o processamento da folha de pagamento pela instituição financeira e a publicação dos atos oficiais relacionados à contratação.
O documento estabelece ainda que o desembolso deveria ocorrer em até dez dias úteis após a comprovação dessas exigências.
A existência desse montante ganha relevância diante das reclamações de servidores contratados do município, que denunciam atrasos salariais. Nos últimos dias, o prefeito Flávio Furtado, do PDT, tem atribuído parte das dificuldades ao que classifica como entraves burocráticos envolvendo a Caixa Econômica Federal.
No entanto, a própria redação do contrato indica que a liberação dos recursos está vinculada a procedimentos administrativos específicos e previamente definidos. O documento prevê, inclusive, a possibilidade de avaliação de desembolso retroativo caso haja atraso decorrente do atendimento dos requisitos contratuais por parte da administração municipal.
Diante desse cenário, moradores e servidores questionam se os recursos previstos no contrato já foram efetivamente liberados, em que conta foram depositados e qual foi a destinação dada ao valor de R$ 600 mil. Também cresce a cobrança por esclarecimentos oficiais sobre a situação da folha de pagamento dos trabalhadores contratados.
Especialistas em gestão pública ressaltam que receitas extraordinárias recebidas por meio de contratos bancários não substituem a obrigação do município de manter planejamento financeiro adequado para garantir o pagamento regular dos servidores, considerado serviço essencial para o funcionamento da administração pública.
Até o momento, a Prefeitura de Duque Bacelar não divulgou informações detalhadas sobre eventual recebimento do valor previsto na Cláusula Sétima nem esclareceu se os recursos foram utilizados para reforço de caixa ou para outras finalidades administrativas.
O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e da Caixa Econômica Federal sobre os questionamentos levantados pela população.










