As recentes declarações do prefeito de Duque Bacelar, Flávio Furtado, elogiando um ex-integrante da gestão Bruno Silva deixaram poucos analistas políticos com dúvidas sobre suas intenções. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que o gestor busca ampliar sua influência em Coelho Neto e abrir espaço para seu grupo político em um município que hoje possui uma das administrações mais consolidadas da região.
O movimento chama atenção porque ocorre justamente quando Bruno Silva mantém protagonismo político e uma gestão bem avaliada por grande parte da população. Em vez de apresentar uma agenda voltada para os problemas de Duque Bacelar, Flávio Furtado parece cada vez mais interessado em participar das disputas políticas de uma cidade vizinha.
A estratégia, porém, encontra um obstáculo considerável: o próprio histórico político do prefeito de Duque Bacelar. Antes de se apresentar como alternativa ou referência para Coelho Neto, Flávio precisa lidar com questionamentos que há anos são levantados por adversários políticos e por setores da sociedade bacelarense.
Entre esses questionamentos está o debate sobre o patrimônio de sua família. Opositores frequentemente cobram explicações públicas sobre a aquisição de imóveis de alto padrão e sobre a evolução patrimonial do núcleo familiar. Até o momento, essas alegações permanecem no campo das suspeitas e da disputa política, sem decisões judiciais definitivas que comprovem qualquer irregularidade. Ainda assim, o tema continua presente no debate público e alimenta discussões sobre transparência e prestação de contas.
Também não passaram despercebidas as repercussões envolvendo notícias que colocaram familiares do prefeito no centro de discussões sobre negócios imobiliários de alto valor. Embora nenhuma dessas situações tenha resultado em condenação ou comprovação de ilegalidade, elas contribuíram para ampliar o interesse público sobre a situação patrimonial da família.
Nesse contexto, causa estranheza ver Flávio Furtado buscando protagonismo em Coelho Neto enquanto ainda enfrenta cobranças dentro de seu próprio município. Afinal, quem pretende influenciar os rumos políticos de uma cidade alheia inevitavelmente terá seu passado, suas decisões e sua trajetória administrativa colocados sob escrutínio.
A política regional é feita de articulações, alianças e estratégias. Mas também é feita de credibilidade. E credibilidade não se conquista apenas com discursos, aproximações ou elogios a lideranças de outros municípios. Ela depende da confiança que um gestor consegue construir junto à população que o elegeu.
Por isso, antes de mirar o futuro político de Coelho Neto, talvez fosse mais prudente que Flávio Furtado concentrasse seus esforços em responder de forma clara aos questionamentos que continuam sendo levantados sobre sua própria administração e sobre temas que seus adversários insistem em manter no centro do
debate público. Daí, o jargão que nasceu em Duque Bacelar: "Enquanto o cara virou comentarista de internet da administração alheia, a cidade dele segue abandonada."
