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Ontem (14), durante
horas, estava eu navegando na internet em busca de repostas aos por
quês daquele massacre numa escola de ensino médio, em Suzano/SP, e que
resultou na morte de oito pessoas indefesas.
Em um dos acessos localizei
um artigo intitulado: O JOVEM CONTEMPORÂNEO, publicado em 07 de Julho de 2012,
por Erika Santos.
Segundo Erika (e eu
acredito piamente), esse comportamento contemporâneo é um reflexo do mundo
moderno, que com suas características interfere diretamente no modo de agir, de
pensar e falar dessa juventude. Do ponto de vista da globalização e
consequentemente da expansão do capitalismo, independente da sua condição
social, todos são afetados.
Os jovens de baixa
condição financeira sofrem com as mazelas da globalização, vivendo nas
periferias, sem acesso a boa educação, ao emprego, a saúde. Vulneráveis as
drogas e a todas as formas de violência, são diretamente afetados por sua
condição social. Geralmente são oriundos de uma estrutura familiar fragmentada,
quando muitos são filhos de mãe solteira, que precisa sair para trabalhar,
deixando o filho sozinho. Outros têm no pai a figura de um homem ausente ou
violento. Estes pais nada mais são do que vítimas que geram vítimas do
sistema.
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Este quadro social é
refletido na vida escolar desses jovens, que muitas vezes não se interessam em
estudar, não têm perspectiva de futuro ou de ascensão social. Quando frequentam
a escola expõem ali o fruto da sua vivencia pessoal, apresentando perfis de
violência, depressão e sentimento de revolta. Vistos de forma negativa e
inferior pela sociedade, não encontram na escola o apoio que já é nulo na
família, diante dessa realidade buscam no mundo do crime um refúgio e um modo
de sobrevivência.
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Os poucos que idealizam um futuro promissor, melhores condições de vida e obtêm na família o apoio necessário para se tornar um cidadão ciente dos seus direitos e deveres, encontram no seu caminho inúmeras barreiras e poucas oportunidades. Diante das dificuldades alguns acabam desistindo e aceitando sua condição, outros com muito esforço seguem em busca do que almejam.
Analisando os jovens com
boas condições financeiras, é perceptível que estes também são afetados pelo
modo de vida do mundo moderno, onde tudo se encontra ao seu alcance: a boa
vida, o carro importado, as viagens, as drogas, a violência, a AIDS, a
depressão.
Esses jovens têm acesso
a uma educação de qualidade, acesso à saúde privada, frequentam os lugares da
alta sociedade, tem prestígio, podem conseguir ótimos empregos, fazem parte da
elite. Sua estrutura familiar é planejada, com pai, mãe, babá... E é esta
última quem geralmente acaba sendo o referencial familiar destes jovens, porque
os pais estão ocupados demais aumentando suas riquezas e servindo ao
capitalismo.
É irônico como as
coisas se misturam e se confundem: a babá que geralmente mora na favela, que
não tem tempo para sua família e que deixa seu filho na creche, acaba sendo o
referencial familiar do jovem de classe média que tem os pais ausentes. Sem o
apoio familiar o jovem fica depressivo, perde o rendimento escolar, se afasta
da sua vida em sociedade e torna-se vulnerável ao mundo das coisas ilícitas.
Fica clara a compreensão
de que o jovem depressivo, desmotivado, vulnerável, rebelde, não é aquele jovem
filho de mãe solteira, que mora na favela e estuda em escola pública. Nem o
jovem filho do pai rico, que paga a escola particular e todos os seus caprichos.
Esse é o perfil do jovem
moderno, filho do capitalismo e da globalização, vítima de um sistema que
desestrutura a família e afasta as pessoas, aumentando gradativamente o
sentimento individualista.
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A proposta é fazer com
que o leitor reflita sobre essa realidade. Temos que admitir que a família
brasileira é uma instituição falida e que o Estado é corresponsável. Isto ficou ainda mais evidenciado no caso dos assassinatos em Suzano.
Apesar disso, acredito
que ainda haja tempo para a reconstrução.
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